PF prende deputado eleito a ex-chefe da Polícia Civil em operação no Rio

Investigação apura espuma de lavagem de R$ 7,6 bilhões com uso de postos de combustíveis

Por Viviane Setragni,

A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (15), o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e o ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro Marcus Vinicius Amim Fernandes. As prisões ocorreram durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio para lavar dinheiro.

Foto: ReproduçãoOk

Segundo a Polícia Federal, o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. O valor consta em um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à corporação. A investigação também apura a suposta participação de agentes públicos e a existência de articulação político-institucional para viabilizar as atividades ilícitas.

Além de Canella e Amim, foram presos os agentes da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, Giovanni Gaspar Fernandes e José Carlos Alves de Souza Júnior. Também foi detido Christiano Gaspar Fernandes, secretário municipal de Ordem Pública de Belford Roxo.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.

A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas apontadas como ligadas à suposta rede de lavagem de dinheiro. Desse total, 96 são postos de combustíveis que, segundo a PF, seriam utilizados para ocultar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa.

De acordo com informações apuradas pela CNN Brasil, Pablo Russo teria integrado equipes comandadas por Marcus Amim em diferentes delegacias e seria o suposto controlador de uma rede de postos de combustíveis por meio de empresas registradas em nome de terceiros. A estrutura incluiria negócios ativos e inativos, que seriam utilizados para ocultar e lavar recursos ilícitos.

A oitava fase da Operação Unha e Carne faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para desarticular organizações criminosas que atuam no estado do Rio de Janeiro.

Além da suspeita de organização criminosa armada, os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.

Segundo a Polícia Federal, a operação segue as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas. A investigação também foi tema de uma reunião realizada em 6 de outubro entre a direção-geral da PF e o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no Supremo.

A Operação Unha e Carne já teve outras fases que resultaram na prisão de políticos e outras pessoas investigadas, entre elas Rodrigo Bacellar, TH Joias, Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio.

## Márcio Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio

Márcio Canella foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro com 197.178 votos, o equivalente a 2,24% dos votos válidos, segundo os dados eleitorais informados. Ele obteve a segunda maior votação entre os 70 parlamentares eleitos para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Antes da eleição, Canella ocupou os cargos de deputado estadual e prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

Em julho, ele foi preso em flagrante após agentes da Polícia Federal encontrarem um fuzil calibre 5,56 no veículo em que estava. Na ocasião, Canella também figurava entre os alvos de mandados de busca e apreensão expedidos durante a sexta fase da Operação Unha e Carne.

À época, o político afirmou que a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança. Três dias depois, o ministro Alexandre de Moraes determinou sua soltura, autorizando que respondesse ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares.

Entre as condições impostas estavam o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte e a suspensão do porte de arma.

## Polícia Civil afirma que não compactua com irregularidades

Em nota, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil informou que participa da operação em apoio à Polícia Federal e declarou que a instituição não tolera desvios de conduta.

Segundo o órgão, são adotadas medidas administrativas e disciplinares diante de indícios de irregularidades. A corporação também afirmou manter atuação integrada com outras forças de segurança e órgãos de controle para garantir a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, quando cabível.

Fonte: CNN

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